segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Quarto Vazio



Frio. A manhã começa a clarear,
A cama permanece solitária e intranqüila,
A insônia ganha vida autônoma,
A atmosfera reinante é de um domingo glacial.


Na rua, barulhos ensandecidos de uma imbecilidade alheia,
Aqui dentro um sonoro silêncio,
Ligo o rádio para ouvir qualquer notícia,
Nenhuma delas anuncia o regresso dos seus olhos.


Sobre a mesa, uma pilha de livros e trabalhos a serem vistos,
Um cansaço incômodo planando pelos ombros,
De relance, observo o relógio estático,
Os ponteiros parecem congelados.


O que poderia está vagando em seus pensamentos?
Se eu pudesse desatar cada um dos nós,
Atravessaria qualquer Inferno somente para resgatar seus olhos,
E entregá-los para um pacífico Paraíso.


A manhã fria é ampliada pela claridade,
Porém, as pálpebras continuam cerradas,
A sensação acre galvaniza a boca,
As palavras dormentes permanecem presas à garganta.


Abro um livro e leio um pouco,
Enquanto lembranças velejam à mente,
Observo a luz adentrando pelas frestas da janela,
Os olhos se tornam mais cansados de tanta insone espera.


O que dizer quando o desejo é estar do outro lado da cidade?
Quem duvida que a saudade seja um indócil castigo?
Acordar ao lado de quem nunca deveria silenciar,
E os lábios permanecem sedentos de sufocada vontade.


O Amor não é um jogo; é uma crucificação com sorriso brando,
O sentido da falta e o de preocupação,
As dores de Amor e a constrição da dor do resgate,
O quarto se torna pequeno para a imensidão vazia das mãos desunidas.


Manhã de aparência tão desolada,
Não trás nenhuma cor ao dia,
Seus olhos tão distantes não iluminam o ambiente,
O dia conservar-se como a noite.


Relembro cada canto do seu quarto,
Cada curva simétrica do seu corpo,
Cada toque que lhe emanava prazer e conforto,
Aqui, encarcerado no meu próprio quarto.

sábado, 9 de agosto de 2008

Sábado à Vácuo (Rimas Fáceis, Dias Pétreos)


Cai a tarde,
Com o peso de pedras rolando um desfiladeiro,
O frio invade o quarto sem pedir licença,
O telefone permanece em áspera quarentena.


Sábado de um vazio incômodo,
Relembrando memórias recentes,
Olhos da amada e lábios sem lugares-comuns,
O dia se congela sem graça alguma.


Os desejos afloram na pele,
A saudade castiga severamente o peito,
Resta então fechar os olhos lentamente,
E engolir a saliva como pó de vidro a seco.


Memórias da Paixão,
Canção íntima do intelecto,
O dia frio transforma a paisagem num lugar hostil,
As mãos permanecem em insustentável ausência.


O que poderia fazer para não sentir dor?
Deitar angustiadamente junto ao travesseiro?
Fechar os olhos desejando o tempo passar?
Calar os lábios sequiosos por liberdade?


Onde anda cada passo de sua estrada?
Busca incessante pelos seus olhos,
Sintonia de Amor refugiada no silêncio,
Caminho sem vencedores.


A temperatura gradativamente abaixa,
Esfria tudo ao meu redor,
A ponta dos dedos se tornando gélidos,
Meu olhar perdido sentindo a força do vácuo.


Onipresente, seus olhos margeiam meus dias,
Lábios sequiosos pelo seu beijo,
A lágrima em desequilíbrio no canto do olhar,
A vida é de um capricho ingrato.


Na trilha inóspita do cotidiano,
Os sábados são cinzas e as noites vazias,
Cada verso é como uma pequena fagulha,
Para incinerar a aridez presente na saudade.


Não há tempo que desvencilhe as lembranças,
Guardadas a sete chaves na minha retina,
Palavras ao vento, solidão e sofrimento,
Rimas fáceis, dias pétreos.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Alicerces (Para Dizer que Eu a Amo)


Hoje eu queria simplesmente,
Escrever um poema de Amor,
Mas como as palavras são finitas e os desejos são constelações,
Não registraria com exatidão as torrentes do miocárdio.


Queria que fosse possível transcrever,
Com as palavras mais acertadas,
Que não causassem confusão ou insegurança,
Sobre a vitalidade desse Amor.


Queria poder polvilhar por toda a estrada,
Com uma trilha de vocábulos,
Que atravessasse da zona leste a oeste,
Um caminho sem atalhos ou interrupções.


Iria deixar de lado as palavras mais rebuscadas,
Deixaria tudo bem tênue, límpido e transparente,
Para que a mensagem chegasse ao destinatário sem ruído,
E fosse compreendida sem hesitação.


Pediria um pouco de fôlego, água e trégua,
Para quê tanta guerra?
Se o resultado do campo de batalha é o indócil afastamento,
Escreveria que somente os sentimentos mais sublimes resistem aos vendavais.


E se sobrasse tinta e um pedaço de papel,
Diria muito mais coisas do que o delimitado espaço permitiria,
Talvez não seja tanta novidade aos seus olhos,
Mas não custa deixarem sempre ressaltadas.


Com o lápis na mão e com a íris navegando pelo horizonte,
Seria de oportuno registro como um livro de cabeceira,
A confissão desvelada que os meus olhos sempre procuram os seus,
Quando desperto de mais uma noite enluarada.

Se fosse para resgatar por meio de um poema com iluminação,
Queria que os seus olhos ficassem encantados,
Que atingisse certeiramente o seu coração,
Enfim, deixando de lado toda a saudade.

Não sei compor em bons versos,
Acho que só saiba mesmo amá-la,
Talvez seja possível que sinta as tentativas de fazer isso com capricho,
Cultivá-la pacientemente com tanto zelo.


Queria fazer um poema de Amor,
Daquele que todos os sonhos fossem bordados à mão,
Que todas as dores e mágoas vencidas,
E quem sabe no fim, você regressaria para os meus braços.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O Amor como Commodity (O Assassinato de Romeu e Julieta)


O que falar do Amor,
Quando quase todas as bobagens já foram ditas?
Atiradas de forma imbecilizada por toda programação televisiva,
Plastificadas ou embaladas à vácuo pelos quartos de motéis da cidade.


O Amor ridicularizado, surrado e remendado,
Com a futilidade dos que fazem sexo pela metade,
Nem os animais conseguem ser tão artificiais,
Quando a burocracia vence o Amor.


O comércio do prazer imediato,
O drinque, o sorriso e o papo furado,
A trepada sem rosto ou tato e sem camisinha ou não,
O Amor sendo canibalizado.


Quem é você na minha cama?” – Pergunta alguém no dia seguinte,
Protocolo em três vias, RG, CPF e foto 3x4,
Cadastro, referências e lista telefônica,
Rodízio da senha de espera para o love customizado.


A balada, o babado forte, o êxtase e a basbaquice,
A noite que brilha à erva, Viagra ou fileira esbranquiçada,
Loira, morena, negra, nipônica ou ruiva,
A genitália sem preconceitos é (quase) sempre tudo igual!


No mercado dos prazeres imediatistas,
Licitação de carnes e corações sentimentais cotados via pregão eletrônico,
Orkut, MySpace, Bebo, Parperfeito é tudo clique e ponto "com",
O grande leilão sentimental na websolidão.


Hoje eu vou, amanhã é sua vez: “Olá, lembra de mim?”,
Rodízio de veículos e de corpos sem vontade própria,
O desejo é tão efêmero e volátil,
A mesa de bar e a cantada estéril pré-programada: "Muito prazer, meu nome é Prozac!".


Não perder tempo e a “fila anda”,
Olha a hora, o abate é agora!
Vai quer ou não? Decida-se!
Bem-vindo ao Paraíso: cama, gozo, ronco e tchau!


Sou romântico, amanhã passo qualquer mensagem,
Qual era o nome mesmo?... Começava com a letra...
Quem se importa? Um rostinho a mais na multidão,
Aliás, o Amor tem algum rosto?

O sexo e a felicidade com códigos de barras e leituras ópticas,
Caça à presa, cartão de crédito e pagamento parcelado,
Relacionamentos na velocidade da permuta de cuecas e calcinhas,
O Amor como commodity sentimental.


Relações narcíseas nunca completadas,
O outro que não encaixa na esfera do ego,
A Paixão bloqueada que não atinge o Amor,
O fosso abissal da imensidão voluntária do vazio.


O assassinato de Romeu e Julieta: fim das querelas românticas!
O gozo imediato nunca saciado ou aliviado: “O ‘próximo’, please!
O medo do Amor e os anseios do aprisionamento pelo outro,
A fluidez mercantil dos enlaces afetivos.


Não quero Amor; só beijar bocas, postes e lustres!
A puberdade estendida para além da idade adulta,
O sexo anônimo sem proibição, excitação ou culpa,
A ansiedade da Paixão sem sabor e o Amor jamais consumado.


A auto-suficiência que blinda os sentimentos,
Transforma todas as ações em pulsão de morte,
O ego desfraldando a flâmula de Narciso,
O temor do outro é um coito interrompido.


Quero Amar e nunca compartilhar,
Quero viver e nunca doar,
Sinais de desconexão afetiva, borderline e o ego que auto-satisfaz,
Amor como fuga de Alcatraz.


Síndrome de Cinderela ou Peter Pan,
A imaturidade do mundo imaterial,
A mendicância e a escravidão de corpos e prazeres sem gozos,
O sexo como espetáculo globalizado.


Amor sem amar?
Quem quer correr algum risco?
Pragmatismo mecanicista na sociedade de consumo,
Amor na prateleira de supermercado.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Música Lenta


Por que temos que dançar tão depressa,
Quando a música pede um ritmo menor?
Por que acelerar tão severamente os passos,
Quando o silêncio nos faz ouvir melhor sua melodia?


Por que correr tanto com a vida?
Se lentamente podemos com calma saborear melhor os frutos,
Sentir os dedos entrelaçando-se com mais tranqüilidade,
A degustação serena da irradiação do olhar.


Por que tanta pressa em viver?
Se a cadência frenética das horas,
Passam tão depressa e instável,
Nem dá para sentir se é noite ou dia.


Gire a cadeira, observe à sua volta e veja,
Se o Sol brilha da forma que sempre você desejou,
Se o céu possui o azul que tanto seus olhos ansiaram enxergar,
Senão, alguma coisa poderá estar faltando de forma pouco transparente.


Deixe os problemas de lado,
Nada pode perturbar sua cabeça neste momento,
Apenas feche as pálpebras docemente,
E sinta-se um pouco mais próxima das nuvens.


Por que brincar de catalogar a vida com seriedade,
Se na verdade tudo não passa de um castelo de cartas,
Uma ventania e lá se vão valetes, damas e reis ao chão,
Voar, voar!... Por que voar tão baixo assim se é possível ir além?


Desacelere os passos da caminhada,
A sede não será aliviada jogando água salobra no rosto,
Sinta um pouco da simplicidade da brisa,
Abra a janela e respire um pouco mais profundo.


Não corra. Caminhe!
Não cale. Fale baixinho ao meu ouvido!
Não chore. Sinta o toque dos meus dedos sobre a sua face.
E siga calmamente ao meu lado.


Sem afobações, não tire conclusões precipitadas,
Sem justificativas, deixe o coração redigir os anseios,
Sem pisar em falso, acomode delicadamente seus pés no asfalto,
Sem descolorir os dias, borde com serenidade seu caminho.


Liberte-se do que domina a garganta,
Desenlace os pés com a sintonia da música,
Abra aquele sorriso tão característico,
E não abaixe a cabeça para nada nesta vida.


A vida não foi feita ontem,
E não irá acabar no início do anoitecer,
Aspire com ternura o aroma adocicado das flores,
Não vale a pena corre tão segura para um inócuo vazio.


Pare! Não desvie novamente os olhos,
Não é necessário ocultar nada do que já é conhecido,
Uma bela canção sempre pede que acompanhemos sua musicalidade,
Segure firme minhas mãos para que possamos iniciar a valsa.


Confie! Conceda-me mais um dança,
Olhe fixamente diante dos meus olhos,
Sentir o contato singelo dos lábios,
Transpirando à frio o desejo incontido.


Ouça! Por favor, ouça a música lenta,
Que adentra brandamente aos seus ouvidos,
Desamarre os grilhões que asfixia o coração,
Permita que a sua alma seja invadida pela vontade de ser feliz.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Palpitações


Na floresta dos piores pesadelos,
Não há nada que adentra em suas raízes,
Consegue sair com algum fragmento de alma,
A vida sendo escoada por um rodamoinho.


Quando mais se dá as costas,
Sentimentos mais sinceros e nobres,
Deixados de lado pela renúncia da vontade,
Tudo se enraíza com mais força dentro da floresta.


Em suas densas folhagens margeadas por todos os lados,
Não permitem a luz naufragar com mais devassidão,
Os dias e noites são tão similares e opacos,
A umidade transforma o recinto num ambiente quente e intranqüilo.


Todos os anseios, falsas certezas e medos,
Foram condicionados em suas grandes folhas fechadas,
A voz que ansiava ecoar com o que restou de sobriedade dos pulmões,
Ficou petrificada em seu interior.


O oxigênio é um raro recurso,
Numa atmosfera beirando à asfixia,
Resquícios de coragem selados sem ilusões,
A floresta devora seus tênues pressentimentos.


Deixe, deixe fluir o que mais deseja,
Deixar objetos desnecessários calarem seu ego?
Nada vale a pena se não for regido pela vontade,
A dor da falta e a dor do Amor.


A floresta tem uma cor quase negra,
Como as cores do interior de um trancafiado sótão,
Toda vontade sucumbida pelo silêncio,
O vácuo é o que resta depois de tudo.


Os desprotegidos pés teimam em não saírem da floresta,
Acreditando que não seja possível vida lá fora,
Mas a floresta é voraz e sorrateira,
Devora secamente seus inquilinos com uma tamanha insensibilidade.


A floresta se alimenta das dores e todos os prantos,
Aprisiona em seu labirinto toda chance de Paz,
Sem recursos físicos, padecem as pernas de cansaço,
A impiedosa fronteira entre a vida e a noite.


Mesmo a mais sublime das canções proferida num canto de liberdade,
Parece não provocar uma ressonância magnetizada pelos tímpanos,
A floresta engana e deseja convencer que seu lar é supremo,
Até dizem que Deus criou o mundo a partir de uma floresta similar. Blasfêmias?


A floresta conserva todos os seus elementos básicos,
Lágrimas, olhares e visões do Paraíso desencantado,
A palavra morta, o silêncio casto e os rabiscos de glória,
O que realmente nos prende a esta vida?


Não busque abrigo no seio da floresta,
Lá não encontrará mais do que escuridão,
Horas calvas e amargas irão compor o destino,
Reminiscências de lugares-comuns ao longo do caminho.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

A Bússola Cega


Há três caminhos possíveis a seguir,
O árduo e truculento caminho das pedras,
A intangibilidade inverossímil do caminho fluído,
A resistência robusta do caminho em solo.


Qual caminho você pretende seguir?
Entoar uma lágrima ou florir um sorriso na caminhada,
Compartilhar experiências ou ser ingerida pelo próprio ego,
Viver uma vida ou permanecer na opção pela infelicidade.


Qual caminho você pretende seguir?
É mais fácil recuar perante os medos,
Empacar diante dos desejos,
Fugir para não se dispor a resistir.


Qual caminho você pretende seguir?
Acreditar nas certezas de gelatina,
Esconder-se dentro do quarto escuro,
Abrir a janela para entrar um pouco de ar.


Que caminho você pretende seguir?
Tantas são as palavras que podem fazer-lhe companhia,
Levar as mãos sobre os ouvidos ignorando a sonoridade ao redor,
Atravessar a vida munida somente de uma bússola cega.


Qual caminho você pretende seguir?
O sangue prensado nos pés marchando no campo de batalha,
Mergulhar na dimensão vazia dos atalhos incertos,
Trilhar pela brasa incandescente dos portais até Mefisto.


Qual caminho você pretende seguir?
Entre a possibilidade de frustração e a acomodação do casulo,
A opção sempre pelos níveis de menor energia,
Tantos receios de ter algum solavanco e desfazer castelos de areia.


Qual caminho você pretende seguir?
O sorriso aberto da criança,
A lágrima confinada no canto do olho diante do espelho,
As mesmas desculpas deliberadas de falso bem-estar.


Qual caminho você pretende seguir?
Recolher flores despetaladas pelo chão,
Colher uma rosa vermelha para o seu cabelo,
Sentir o aroma de um jardim de sinceras alegrias.


Qual caminho você pretende seguir?
Consumir bobagens demagógicas dos abutres,
Guiar-se pela ladainha podre dos usurpadores de alma,
Entregar-se num Amor sincero lentamente invadindo seu coração.


Qual caminho você pretende seguir?
Verdades presas ao cemitério,
Vontades suprimidas à renúncia,
Desejos castrados à pulsão de morte.


Qual caminho você pretende seguir?
Se um punhado de tristeza,
A prisão inglória dos desejos,
A liberdade das portas abertas do cárcere.


Qual caminho pretende seguir?
Dar as costas aos anseios mais profundos,
Mastigar promessas infundadas sem morada,
Marchar seguindo a luz que brilha ao longe.


Qual caminho pretende seguir?
Curvar silenciosamente diante do espelho,
Fechar à porta na cara alheia,
Correr para a maré que mareja seus olhos.


Qual caminho pretende seguir?
Deixar ser levada pela ventania,
Atravessar o leito do rio,
Privar os lábios de um único amoroso toque.


Qual caminho pretende seguir?
Deixar o futuro vir a ser uma fotocópia do passado,
Fingir sempre um sorriso pouco verdadeiro para a vizinhança,
Correr livre na praia mergulhando os pés na areia.


Qual caminho pretende seguir?
Peregrinar na escuridão da noite,
Andar no alvorecer do dia,
Sentir a brisa da tarde.


Qual caminho pretende seguir?
Levantar os muros quando é mais fácil ceder,
Jogar fora a chave do baú trancado,
Abaixar a cabeça e fechar os olhos.

Qual caminho pretende seguir?
Negar aquele dia de Sol que você tanto desejou,
Vestir aquela roupa que tanto lhe faz bem,
Banhar-se nas águas que lhe dão liberdade.


Qual caminho você pretende seguir?
Não existe um único caminho em total segurança,
Não existem guias ou mapas dos arredores,
Não existe nada que expressa garantia, exceto arriscar a caminhar.


Qual caminho você pretende seguir?
Se permita apenas por um momento,
Deixar a autopunição de lado,
E segurar em minhas mãos para qualquer caminhada.