terça-feira, 19 de março de 2013

Aconchego





Venha percorrer nos meus lábios,
Como uma revoada de pássaros.

Para o degelo desta madrugada,
O calor que tanto carecemos nesta jornada.

Que acenda esse desejo tão presente,
De tantos desenganos, a alegria se faz ausente.

Não deixe de lado ou para o além,
O que o destino nos concedeu tão bem.

Esqueça aquela dor de outrora,
Venha marcar a minha boca agora.
 

Abrace-me com esses lábios que me faz lembrar a paixão,
Venha repousar o seu corpo com doce tranquilidade,
Descanse em meus braços sem medo ou hostilidade,
No livre desejo de nossa união.
 

Que o aconchego que nos faz falta e castiga aos poucos,
Seja o aconchego que nos una e nos faz únicos.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Percurso





Corro das trevas,
Sem a esperança de voltar,
Quem dera que não fosse verdade,
Mentir para que a falta não se faça imperativa.


Corro do ódio,
Sem o desejo que me contamine,
A serpente que segue meu destino,
Azucrina sem demora meus pesadelos.


Corro da vingança,
Sem a vontade de matar,
Fraquejo e isto me faz tão miúdo,
Fortalece o inimigo tão visceral.


Corro da mentira,
Sem a verdade bater a porta,
As mãos calejadas estão vazias e abertas,
A saliva demoníaca realiza insuportável sangria.


Corro da realidade,
Sem olhar no retrovisor,
Impactos marcados na derme,
Vontade que semeia infértil na boca.


Corro da vida,
Sem querer balbuciar a dor,
Endógenas feridas no leito do corpo,
Abutres velejam sorrateiros no horizonte.


Corro da morte,
Sem acreditar que a terra úmida é o destino,
Tantos pensamentos soltos e nenhuma certeza,
A covardia dos afiados punhais a todo vapor.


Corro da solidão,
Sem saber ao certo como retornar,
Olhos abrem e fecham e nada é identificado,
Os demônios operam entre a moita e a neblina.


Corro de mim,
Sem a esperança de voltar ao que era,
Queria uma chance para repor o que nos roubaram,
O destino é a lápide que conforta nosso silêncio.


Corro da lembrança,
Sem saber se irei lhe esquecer,
A maldade sempre avisa o quanto ainda atormenta,
A alegria se foi e a verdade é uma flácida ilusão.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Afano Amoroso





Roubaram nosso tempo e a nossa história,
Afanaram abruptamente as nossas possibilidades,
Mentiram sem remorsos e tampouco foi lembrado o uso da piedade,
Para que nunca mais nos encontremos num único espaço.


Que outrora foi nosso momento de devoção,
Hoje é apenas distância e devastação...
O tempo congelado desde o nosso último abraço,
Triste desencontro daquele beijo de "até mais tarde"...


Hoje os demônios cruzam os céus com seus uivos melindrosos,
Enganaram seus olhos com a mesma facilidade que zombaram de minha índole,
Eu sei que nada foi em vão, mas ainda assim tudo foi insuficiente...
O seu ódio é tão nítido quanto a secura expressa em minha boca.


Não sei mais como lhe dizer nem como despertá-la do seu sonambulismo,
Nem ao menos sei como tudo isto pode de fato ter acontecido,
De algo tão natural e puro, sem os velhos vícios,
Afastaram de mim toda a doçura e o perfume que exalava do seu coração.


Lembro-me do seu beijo como se fosse ainda agora,
Mas já se passaram tantos dias, noites e estações climáticas,
Tanto tempo foi-se em vão nesta jornada infernal,
Somente o desengano povoou nossa constelação solitária.


Ouvi as mais densas provocações,
Perdi as mais inteiras noites,
Corri todos os possíveis riscos,
Nem ao menos você conseguiu abrir os olhos.


A cegueira que nos afasta injustamente,
O cálice de veneno que contaminou o seu corpo,
A sua alma enclausurada de medo e insegurança,
E todas as mentiras foram jogadas contra mim...


Se por um momento, Deus me presenteou com seus olhos,
O Diabo conseguiu afastá-los de mim,
Se tudo foi matreira coincidência ou fastidioso destino... Eu não sei,
Apenas sinto agora tão somente o preço que há na saudade.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Finados





A morte é o pior dos males de uma existência.
Nenhuma forma que seja possível de escolher o cenário da morte poderá ser considerada boa. A morte é o fim físico que poderá deixar latente alguma saudade na memória daqueles que ainda permanecem vivos.
Morrer é o ultimo dos estágios e o primeiro e único do fim de tudo.
Todavia, nada pior que a morte em vida, onde se opta pelas piores escolhas na existência, não cultivando nada, além de tristeza, desprazer, angustia e melancolia.
Se a morte é uma consequência irreversível, viver a vida é um conjunto de escolhas e opções as quais todos fazem com maior ou menor nível de consciência.
Melhor do que esperar por uma boa morte é transformar a vida de tal modo para que ela não seja cinza, inerte e tampouco vazia.
Logo, não se pode optar por fugir eternamente da morte, mas sempre será possível escolher as melhores opções para viver a vida.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Terna Loucura



Dizem que todos são loucos quando saem do padrão estabelecido,
Rejeitei todos os padrões e convenções, eu quero apenas o sabor da vida,
Não me importa se os outros não sabem conjugar o verbo Amar,
O que importa para mim somente é o tempo verbal entre você e eu.



Sou louco por desejar lhe fazer mulher
Quando o que você aprendeu foi ser uma dobradura em mãos alheias?



Sou louco na intensidade de lutar contra as injustiças
E decifrar todo o Mal que fez nos separar?



Sou louco por dedicar meu tempo a lhe fazer rainha de meus pensamentos
E ter tocado com todo carinho o seu corpo?



Sou louco quando ninguém se importa com ninguém
E me dedico a lhe proteger mesmo na distancia e debaixo de impiedosa tempestade?
 


Ninguém aqui é desconhecido,
Nossas mãos mapearam mutuamente nossos corpos,
Se toda loucura fosse o prazer de acolher e amar,
Esperar-lhe-ei ate o dia que enfim você acordar.



(14.06.2012 - 06:41:01)