segunda-feira, 13 de junho de 2011

Aforismas (II)




Alcova

Quando olhos abertos não podem ver,
Vem a noite batendo a porta,
Anunciando o que instiga antigo castigo,
É o desejo silenciosamente guardado que lateja.


Luxúria
Da madrugada quero uma estrela,
Da escuridão quero um lampejo,
Da cama quero o repouso,
Do seu corpo quero a volúpia...
E do seu desejo quero toda a plenitude.


Lastro Oceânico
A vida cria oportunidades,
A realidade sinaliza algumas opções,
O medo se encarrega de puxar as rédeas,
Enfim, sobra o que é possível fazer.


Culinária
Ao contrário da vingança salobra,
O desejo é um prato que se come de modo fervente,
Desfrutado com alto teor de volúpia e imaginação,
Apimentando a boca em cada impulso torrente.


Ansiedade
Desejo é o que tilinta em pulsares,
Ávido por abarcar todo um mundo em vão,
Sobre a superfície famélica dos lábios,
No oceano selvagem da saudade.


Dúvida
Sonhar é um ato eminentemente humano,
Todavia o grande risco desta dádiva,
É paradoxalmente tão somente sobreviver de suas promessas,
Com receio que de fato possa concretizar tais anseios.


Agora
Sutil é a vida que sempre tece surpresas,
A distância é relativa quando interfere no tempo e no espaço,
Quando casto, o futuro são páginas soltas em branco,
E prevalece a vontade de que alguma coisa esteja sempre próxima.


Desvelo
O desconhecimento gera inúteis conflitos,
Ao deixarmos o ego narcísico de lado,
E abraçarmos a vida com equidade,
É uma boa oportunidade de conhecer o nosso próprio interior.


Maturidade
Sinais de Pandora,
Sinais de outrora,
Grande é o desejo em festa,
Finito é o tempo que nos resta,
Não há amor sem pulsar,
E nenhum rio retorna ao mesmo lugar.


Pôquer
Toda vida segue uma Lei,
Toda Lei segue uma norma,
Toda norma segue um caminho,
Todo caminho segue uma direção,
E daí vem um vendaval embaralhar...
Todas as velhas e mofadas certezas.

2 comentários:

Anônimo disse...

VC NAO E 10 E 1000 BJS POETA

Anônimo disse...

Seus poemas tem o poder de tocar. excelente amei. amei