Verbo pro verbo
Espaço dedicado à análise, reflexão e crítica dos enlaces, desarranjos e autofagias do homem (i)material e o desencanto do mundo contemporâneo.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Chuva Negra
Quando o Demônio carrega-lhe com aquelas garras fétidas para longe de mim,
Uma chuva negra inunda todo o meu corpo,
Não sei se seus delicados dedos dizem adeus ou pedem ajuda,
Estou preso na escuridão e você se encontra vigiada pelos abutres,
O tempo castiga minha carne com a chibata da angústia,
Vejo a mentira perverter toda forma de realidade,
O banquete de serpentes envenenou-nos e conduziu-nos ao isolamento,
Estou encarcerado no calabouço do esquecimento,
Ao longe, ouço risos de hienas festejando minha dor,
A minha raiva consegue secar minhas lagrimas,
A saudade é a única coisa que me acompanha,
Agora, bebem do meu sangue,
Mas jamais terão a minha alma.
sábado, 14 de abril de 2012
Acalanto
Da manhã se formou uma expectativa,
Da tarde se formou uma espera,
Da noite se formou uma tragédia,
Da madrugada se formou uma insônia.
Da tarde se formou uma espera,
Da noite se formou uma tragédia,
Da madrugada se formou uma insônia.
De tanto amor sobrou-me apenas a rima,
De tantas palavras sobrou-me um livro,
De tantos pedidos sobrou-me uma desistência,
De tanto querer sobrou-me um desencanto.
Da virtude brindou o vício,
Da vanguarda restou a mesmice,
Da luta respingou a inanição,
Da elegância bastou a falsidade.
Da verdade negada,
Da conversa esquecida,
Da mulher lacrada,
Da paixão confiscada.
Dos desejos sufocados,
Dos caminhos destelhados,
Dos laços cruzados,
Dos olhares fechados.
Das mensagens inaudíveis,
Das angústias vertiginosas,
Das horas incompletas,
Das verdades desencontradas.
De mentiras sem lastro,
De atitudes sem nexo,
De palavras sem voz,
De dores sem fim.
A sua fuga é medo.
A sua incoerência é perplexidade,
A sua lucidez é ingênua,
A sua boca é oásis.
A minha noite é dia,
A minha sangria é rio,
A minha alegria é fosso,
A minha boca é deserto.
A nossa presença é ausência,
A nossa solidez é fractal,
A nossa lembrança é silêncio,
A nossa paixão é solidão.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
A Mão de Lúcifer
Então o Senhor disse a Satanás: Donde vens?
E respondeu Satanás ao Senhor, e disse:
De rodear a terra, e passear por ela. (Jó 2:2)
E respondeu Satanás ao Senhor, e disse:
De rodear a terra, e passear por ela. (Jó 2:2)
Na madrugada impiedosa e solitária,
Todas as estrelas deixaram de aparecer,
A lua acabrunhada ficou entrevada em silêncio,
O mal circundando livremente entre os labirintos das ruas.
Os anéis se foram junto com os dedos,
Afanados por aquele que não ama a Luz,
Na mórbida gargalhada de suas diabruras,
Pior destino é saber que Ele conseguiu mais uma vez.
Suas falsidades canalizaram tanta energia,
Enlouqueceram os ouvidos ingênuos e desatentos,
Pregando rancores insanos e mágoas desconexas,
Que transformaram todo ouro em pétreo carvão.
Com os dedos vazios, agora sei que deveria ter sido mais cuidadoso,
Com a velocidade que bateram os ventos e a força do irreal,
Não percebi há tempo à densidade dos fatos e o poder da mentira,
E suas mãos negras e impiedosas levaram-na diante dos meus olhos.
Minha estupidez foi o bastante para ver tudo acabar tal como ficou,
Numa desatenção, o Anjo Caído soube burlar todas trancas,
Criar todas as artimanhas e sangrar os corações,
Liberar os fantasmas e cristalizar todo o medo atávico no coração.
Maldito Senhor das Trevas que ecoa risos histriônicos!
Debilitou minhas mãos mordidas por Cérbero e atirou-me ao vento,
Meus sonhos de amor e minhas vãs palavras de paixão,
O oásis se foi e agora do amor tudo voltou a ser o pó de antes.
Calarei na tempestiva realidade,
Engolirei cada pústula de saliva,
Petrificarei cada batida cardíaca,
Mas não me esquecerei de suas crueldades.
Não descansarei até enterrar o último dos seus odores,
Mente carniceira que desafia toda a minha lógica atéia,
Cortarei até a última raiz de suas ervas daninhas,
Deixando as rosas ressurgirem em todos os jardins.
Sua fortaleza somente não é maior do que sua fraqueza,
Também sei que a sua covardia é a sua força-motriz,
Insaciável, faz tanto mal que nunca se dá por satisfeito,
Não sucumbirei para dar-lhe mais riso à sua arcada dentária.
Nenhum mal é suficientemente eterno e um dia a Luz chegará,
Quando toda a maldade será banida e os cadáveres recolhidos,
Talvez o corpo dela esteja em braços melhores do que os meus,
Mas espero que no seu coração permaneça ainda a minha imagem.
sexta-feira, 23 de março de 2012
Olhos Tristes
Madrugada de intensa tempestade,
Estou em meu cárcere solitário,
A saudade bate na janela com os pingos de chuva,
O silencio corta lentamente a minha alma e entristece todo o redor,
Seu coração se refugia num castelo de pedra,
Não pense que sou um louco, pois declaro meu desejo por você,
Sigo calado sem saber o que fazer,
Mas saiba que a vida é para ser sentida,
Aonde quer que esteja meus olhos procuram por você,
O dia logo irá clarear e novamente amargarei sua ausência,
Vá e que seu coração seja protegido por Deus.
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Versão em espanhol:
OJOS TRISTES
Amanecer de intensa tormenta,
Estoy en mi solitaria prisión,
La nostalgia golpea la ventana con las gotas de lluvia,
El silencio se corta mi alma lenta y triste todo su alrededor,
Su corazón se refugió en un castillo de piedra,
No pienses que estoy loco porque me declaro mi deseo para ti,
Guardo silencio sin saber qué hacer,
Pero sabemos que la vida es sentir,
Estés donde estés, mi mirada la busca por ti,
El día antes se aclarará una y otra vez su ausencia amargarei,
Ve, y que su corazón está protegida por Dios.
quinta-feira, 22 de março de 2012
Flor da Espera
Houve um tempo onde tudo eram cores, flores e vida.
Abruptamente, um capricho do Destino
Fez desbotar as cores e devastar todo o jardim.
Da devastação sobraram apenas as sementes
Espalhadas pelo campo de terra e pedra.
Com o tempo, as boas sementes
Germinaram robustas refazendo parte do jardim.
Já as sementes ásperas e duras ficaram inertes sobre o solo frio
E serviram de alimento aos pássaros famélicos de plantão.
Quando o coração está aberto, voluntario e acolhedor
Floresce a oportunidade de nascer uma pequena flor
Até mesmo nas margens pétreas de algum asfalto.
terça-feira, 13 de março de 2012
A Praia
Na praia dos nossos desejos,
A maré regularmente vem nos visitar,
O sol irradia toda a sua energia,
A areia guarda as marcas dos pés.
Um sorriso enaltece toda a paisagem,
Quando os caminhos se cruzam através do destino,
O coração deverá desvencilhar das amarras,
Permitir o corpo se banhar nas águas da possibilidade.
Um mergulho na intensidade primaria da vida,
Deixar tudo que foi ruim no fundo do mar,
Prender toda a tristeza num banco de corais,
Purificar toda a alma nas águas de um novo tempo.
O amor é como a ação da maré,
Vem de mansinho e com energia,
Mas um refluxo poderá levar tudo embora...
A praia é o refugio onde desperta o desvelo.
domingo, 11 de março de 2012
Flor do Querer
Quero a flor da manha,
Que ilumine o seu dia.
Quero a flor da aquarela,
Que possa colorir seu caminhar.
Quero a flor da verdade,
Que responda as suas indagações.
Quero a flor do desejo,
Que acaricie com leveza sua pele,
Quero a flor da paz.
Que acalente suas angústias,
Quero a flor da dedicação,
Que vele com ternura o seu sono,
Quero a flor da esperança.
Que trilhe a jornada dos seus sonhos,
Quero a flor da entrega,
Que preencha o seu jardim.
Quero a flor do amor,
Que possa trazer o seu coração junto ao meu.
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