domingo, 16 de setembro de 2007

Tudo no mesmo lugar



O que o Tempo está fazendo com a gente?
Ontem eu observava seu semblante na madrugada,
Na doce vigília do seu sono de criança,
Nas noites sentidas com sensibilidade,
O beijo de afeto e o carinho entre suas pernas,
O entrelaçar de dedos e sorrisos tão pueris,
O desejo permanente que embalava nossas noites.
É preciso colocar as coisas no mesmo lugar de antes...

O quanto sangra com o ritmo do ponteiro dos relógios?
Hoje amanhece um novo domingo sem sol,
Sem a mesma alegria que outrora,
Os pássaros entoam um canto de melancolia nunca visto antes,
Minha insônia acompanha meus dedos no teclado,
Não ouço mais a sua voz de boa noite,
E o deserto que assola os pensamentos vaga na espera de sua chegada.
É preciso fazer com que as coisas retornam para os nossos braços...

O Tempo açoita na medida em que seus passos fogem pela estrada em neblina,
Um castigo que aprisiona os dias e selam os lábios com um terrível lacre,
Não sinto mais o calor que aquecia a cada manhã nutrida ao seu lado,
Agora o timbre tangido do silêncio permeia nossa atroz solidão,
Quanto mais você se afasta, mais quero estar mais próximo para lhe amparar,
Dias cinzas e cores pálidas sobressaltam entre nossos olhos,
Não diga mais uma única palavra, exceto aquela que faça tudo retornar.
É preciso acreditar que as coisas voltem ao lugar que nunca deveriam ter saído...

O Tempo não perdoa enganos e não resta outra possibilidade senão a volta ao cais,
Lançamos a âncora com os dedos cruzados e cantarolemos uma canção,
Você e eu sob o mesmo olhar,
Tudo no mesmo Tempo,
Tudo na mesma medida,
Tudo na mesma essência,
Tudo no mesmo amor...
E sem negarmos aos apelos do coração,
Que caminhemos para colocar tudo no mesmo lugar.

Nenhum comentário: