sábado, 18 de abril de 2009

Insônia


Alvorece mais um dia quando um outro já convalesceu,
Frio como tantos outros dias nublados e sem cores,
Clareando vagarosamente sobre o barulho fosco da rua,
A iluminação precária sorrateiramente invade o quarto.


A noite sem encontrar em parte alguma o ansiado sono,
As horas vagando em pensamentos em busca de respostas,
Como um irritante e inútil quebra-cabeça sensorial,
Nada sobrevive com alguma perfeição em seu devido lugar.


Queria poder atravessar a cidade,
Sentir apenas um único olhar,
Que trouxesse a Paz necessária,
Para os dias de desolação.


Quando se fecham os olhos pressionados na areia,
O desejo é fazer que tudo se transforme tão prontamente,
Cada vendaval resgata os estragos como rastros de sangue na epiderme,
E não leva a tranqüilidade vital para os enfermos noturnos.


Todavia a realidade é crua e compõe uma noite espessa e longa,
Amordaça, embriaga e corrói desejos,
Ao reabrir os olhos tudo ainda permanece como outrora,
Fora de toda e qualquer tentativa de organizar o descenso.


No solitário bunker predileto que um Amor se refugia,
Coexiste uma constelação conspiratória para minar os campos,
Celeiros de autoproteção, mentiras internalizadas e olhos tristes,
A solidão se materializa num prato degustado à dois.


Carros com seus motores irritantemente explosivos rondam lá fora,
Prostíbulos fecham e a cidade começa a acordar para mais uma previsível jornada,
Observo o relógio e as horas parece congeladas como o autismo do calabouço,
O evasivo pensamento padece distante, rastejante e sem coesão.


Tão difícil é manejar o silêncio na cama sem conforto,
Quando a alma se diluiu num rio desértico escorrendo pelo ralo da pia,
Aprisionado no mesmo cárcere onde se cultiva a angústia e deflora saudade,
Além da janela a claridade ronda a maior parte do dia.


Cedo ou mais tarde,
As coisas tenderão a se ajeitarem à revelia dos seus atores,
Com falsos sorrisos, ódios não superados ou algumas lágrimas,
O que se ganha no front da devastação do labirinto unipessoal?


Assim seguimos os caminhos que fingimos não percorrer,
Tempestivamente as lembranças passadas invadem os olhos sem compaixão,
No espelho banhado à luz não acordo com o semblante que desejaria,
Afinal, a atmosfera é fria e seca como um prato vazio.

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