domingo, 12 de agosto de 2007

Aqui em nenhum lugar agora


Noite escura de vazio latente.
Há um calabouço em nossa volta.
Distância em profunda ausência.
O tempo dilacerando como folhas soltas diluídas em poças de água podre.
Bocas secas de tanto ansiar o dia que nunca chega.
Na estrada, conduzo solitariamente meus passos.
Sinto a sina do brilho dos seus olhos se apagando como luzes de um farol esquecido.
Os ombros pesam com o inútil esforço da espera maldita.

Nosso reinado durou menos que deveria.
Muitos fantasmas jantaram sorridentes diante de tantos receios.
Por que deveríamos ser castigados por desejar tão somente a anti-monotonia?
Seus passos hesitaram em atravessar a ponte.
Do outro lado da linha percebi que você não apareceria jamais.
Mas acreditem em vão em um derradeiro gesto de coragem.
Nada foi revelado.
Tudo foi abafado.
Reluzem os antípodas da felicidade...

Agora é cada um seguindo a própria sorte
Que será de nossa estrada em desunião?
Das flores podadas resplandecem as lágrimas.
Do silêncio amordaçado cultivamos vestígios de lembranças.
Da escuridão ceifo forças para erguer o mundo.

Na medida em que decidiríamos violentar as mesmices tolas do cotidiano,
Profanamos o túmulo putrefato da covardia interior.
Diante de receios seus olhos desapareceram em fuga ingrata rumo às trevas.
Seus caminhos foram abençoados na clausura por sádicos demônios.
Agora busca abrigo desesperadamente em débeis castelos de mentiras.
Renegou minhas mãos abertas em sua direção.
Herdei de um coração pétreo restos uma brisa fria e silenciosa.
Pobres indulgências para quem ousou cativar sua alma em aflição.

O medo sorrateiramente venceu.
Tudo retornou aos grânulos secos de pó bolorento e alguns farelos de mágoas.
E a velha mesma história ressuscitou como chaga:
Era uma vez...
Você, eu e nunca mais...
Aqui em nenhum lugar agora.

Nenhum comentário: